A Força do Destino


É preciso praticarmos o perdão não apenas pelo próximo, mas e, principalmente, por nós mesmos.

O que você faria se tivesse a oportunidade de modificar seu passado e, consequentemente alterar seu futuro?  Aproveitaria essa chance e transformaria o pesadelo em sonho, ou ficaria paralisado diante da dúvida e do inevitável?

O tempo é uma infinita sucessão de mistérios e alguns estão bem ao alcance da compreensão de Jaqueline e Alícia.  O que essas duas pessoas poderiam ter em comum?

Se você se libertar das limitações da mente racional, que tudo questiona, sem nada compreender, verá que o universo é único e que a ideia de separação é mais uma ilusão criada pela pequenez de nossa mente, para a qual é difícil compreender a grande verdade de que somos todos UM.

20 - A Força do Destino

 

Editora Vida & Consciência

Lançado em 2016

Ordem de lançamento: 20º

 463 páginas

 

Que tal experimentar o começo do livro?

Prólogo

Tudo estava tão escuro!  Escuro como a madrugada em que não é possível vislumbrarem-se as estrelas.  Onde estariam elas?  Será que ela atravessara a noite da vida sem nem ao menos perceber que não haveria mais amanhecer?

Ao longe, ouviu alguém chorar.  Primeiro, um lamento feminino, suave, quase infantil.  Depois, uma voz grave, desconsolada, assustada juntou-se à primeira.  Não entendia o que estava acontecendo.  Afinal, que choradeira era aquela?

O corpo estendido sobre a cama encheu-a de dúvidas.  Rosemary fitou-o com incredulidade, pensando que lhe pregavam uma peça de muito mau gosto. Alguém havia estirado em seu leito um manequim igualzinho a ela!  E ainda cuidara de maquiá-lo tal qual um defunto na véspera do sepultamento, antes de ser tratado na funerária.  Francamente, deviam punir tamanho absurdo.

O absurdo, porém, ganhou forma.  À medida que a manhã avançava, a cena insólita parecia desanuviar-se, revelando um quarto, um homem, uma menina e… um corpo.  Mas que corpo?  Como num sonho extraordinário, Rosemary se aproximou, constatando, para seu horror, que o manequim mal acabado não era propriamente uma réplica, mas seu próprio corpo jazendo, lívido, sobre o lençol amassado.

Aos poucos, a consciência foi retornando.  Imagens aparentemente sem nexo se sucediam em sua mente.  Lugares não percorridos, épocas não vividas, figuras desconhecidas.  Tudo se misturava num redemoinho caótico de eventos singulares, nos quais ela era sempre a personagem central.  Sangue, morte, lágrimas, ódio…  Eram os ingredientes funestos na preparação da vingança.

E o perdão?  Rosemary sentia, perdida em algum lugar de seus pensamentos, a frágil lembrança de que viveria pelo perdão.  Mas tudo dera errado.  As promessas do espírito perderam-se nas ilusões da carne, deixando de lado os compromissos assumidos diante da própria consciência.  O mundo podia ser uma ilusão, mas, a seus olhos, era muito mais do que um devaneio fugidio:  Era a certeza do prazer, da vitalidade, das paixões.  Não era com isso que sempre sonhara?

Uma pontada de remorso fez pulsar seu coração.  Ínfima demais para causar dor, mas forte o suficiente para incomodar um pouquinho.  E agora?  Estaria tudo perdido?  Sabia, bem lá no fundo, que desperdiçara uma oportunidade única de se reconciliar com a vida e com Deus.  Mas Deus não era impiedoso, saberia perdoá-la; e a vida…  A vida era bem mais do que a desventura daquele momento.

Ainda assim, ela chorou.  A vida era mais do que o que via, porém, menos do que ainda possuía, já que não possuía mais nada.  Toda a sua vida, ou o que restava dela, se encontrava ali, acolhida pela insensibilidade do leito que, um dia, ela inundara de calor.  Apenas um corpo frio, inerte, mortal.

Não era justo.  Ou talvez fosse, diante das inúmeras injustiças que cometera contra quem mais deveria amar e proteger.  Agora, olhando o mundo de uma outra perspectiva, percebeu que nunca conseguiria manter a palavra empenhada, a menos que uma força externa a compelisse.  Sim, era isso.  Não adiantava jurar, comprometer-se, planejar.  Na volta, tudo é diferente.  O jeito era, numa vida futura, construir um elo mais difícil de se romper e devolver o que tirou.

Foi nesse momento que a ideia começou a se delinear.  A princípio, causou-lhe um arrepio de terror, só de imaginar a monstruosidade que resultaria daquele esboço aberrante.  Mas, pensando melhor, talvez fosse a única solução.  De qualquer maneira, aquele era um projeto para o futuro, se é que elas teriam um futuro.  No momento, seu coração ainda se permitia dominar pela mancha negra do ódio, e a vingança insistia em se apresentar como a salvação de seu orgulho.

Foi com espanto que reparou na luminosidade que invadiu o ambiente.  Não era uma luz forte, daquelas que cegam sem nem se olhar.  Ao contrário, era uma luzinha pálida, débil, quase sem vigor.  Ao ver aquele raio tênue estender-se em sua direção, Rosemary hesitou.  Lá dentro, uma silhueta familiar acenava para ela, convidando-a para uma viagem através das estrelas.  A ideia de se misturar aos astros parecia muito poética e apaixonante.  Contudo, havia um empecilho.  Ela não queria se misturar às estrelas.  Preferia vê-las de baixo, como até então vinha fazendo.

Com esse pensamento, virou as costas para a luz salvadora, dizendo a si mesma que ainda não era hora de partir.

Um comentário em “A Força do Destino

  1. Gosto muito dos livros desta autora, entretanto faço uma ressalva ao ^ A Força do Destino ^ – mesmo num Espiritismo independente há uma responsabilidade da médium na obra que edita. Obra de cunho espiritual não precisa de detalhes de estupro e sadismo , isto a mídia já divulga… Se o espírito Leonel fez questão de ditar isto, por que não passar pelo crivo de poupar detalhes para não chocar mentes que buscam conhecimento e amparo no romance. Jamais poderemos mudar os fatos do passado depois de ocorridos e ficou super confuso esta ideia de o mesmo espírito mudar seu passado já estando no futuro . Consciência sugere ciência e ela nos mostra que neste planeta somos seres em evolução e se usamos o nome de Espiritismo temos de nos livrar do orgulho de achar que ideias cósmicas dão uma visão de estar além. Basta ver obras de Emmanuel e André Luiz para percebermos o que é conhecimento e o que é ficçâo camuflada . Capa linda, ilustração perfeita, letras excelentes mas conteúdo que deve embaralhar mentes que buscam consolo em obras de fé raciocinada como o Consolador Prometido.Tarefa difícil a sua , querida autora, que Jesus a ampare e fortaleça.

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