De Frente com a Verdade


O papel que cabe à mulher na sociedade não a torna incapaz de exercer as suas próprias escolhas nem de dar vazão à inteligência e à liberdade de seguir o destino que eleger.

Quando Luciana se foi, Marcela pensou que era o fim de sua vida.  O desequilíbrio a levou a adotar medidas extremas.  Frustrado o suicídio, encontrou no médico que a salvou um nova razão para viver.

Temendo o preconceito,  Marcela esconde do jovem namorado a avassaladora paixão do passado.   A partir daí, intrinca-se numa rede de omissões e subterfúgios para tentar conter a verdade, vendo em Luciana a arma com que o inimigo tramará sua derrota.

O passado, contudo, não pode ser apagado, e as experiências nele vividas remanescem no repositório indelével da alma.  Mais cedo ou mais tarde, o universo desvenda segredos e ilusões, porque a verdade é o estado natural de todas as coisas.

Presa ainda aos desenganos do mundo, Marcela não compreende a obra da natureza, que incessantemente trabalha para restabelecer o seu curso.  Por mais que tente fugir ou se esconder, os rumos que a vida percorre chegam sempre ao mesmo ponto, onde ela se encontrará, inevitavelmente, de frente com a verdade.

14 - De Frente com a Verdade

 

Editora Vida & Consciência

Lançado em 2011

Ordem de lançamento: 14º

 384 páginas

 

Que tal experimentar o começo do livro?

Capítulo 1

O livro que Marcela acabara de ler jazia inerte a um canto, a página final aberta e manchada pela umidade de suas lágrimas. Era um livro de poesias, de João Cabral de Mello Neto, em que a personagem central questionava se não seria melhor saltar da ponte e da vida. Aquela idéia lhe pareceu romântica, e ela se pegou invejando a criatura que, de forma tão corajosa, decidia abandonar as decepções da vida. Por que não podia ela fazer a mesma coisa?

A passos vagarosos, aproximou-se do armário do banheiro e abriu a porta de espelho oxidado, fitando o seu interior com angústia. Remexeu nas prateleiras até que encontrou o que procurava: um vidro de comprimidos para dormir. Revirou-o na mão e fechou a porta, apertando o frasquinho contra o peito. Duas grossas lágrimas escorrerem de seu rosto, e ela suspirou amargurada. De que adiantaria viver? Sua vida havia terminado naquela noite, no exato momento em que Luciana lhe dissera que tudo estava terminado. E ela simplesmente achava que não podia viver sem Luciana.

Ainda se lembrava do dia em que abandonara a família e a cidade de Campos para segui-la. Luciana sempre fora uma menina esperta, travessa e extrovertida, muito segura de si e de suas escolhas. Quando, finalmente, descobriu sua verdadeira orientação sexual, entregou-se a ela sem muitos questionamentos, não dando importância aos comentários maldosos a seu respeito. Em 1966, numa cidade pequena feito Campos de Goytacazes, foi um escândalo sem precedentes. Quando o fato caiu no domínio público, a família se revoltou, os amigos se afastaram, os professores a recriminaram e ela acabou sendo convidada a se retirar da escola normal que frequentava.

Foi por essa época que elas se conheceram. Os pais de Luciana a puseram de castigo, aos quase dezessete anos, proibindo-a de sair de casa e matriculando-a em outro colégio, do outro lado da cidade, onde os rumores ainda não haviam chegado. Apesar da revolta, Luciana concordou com as imposições dos pais. Era menor de idade e não tinha muitas escolhas. Queria sair de Campos, mas não pretendia fugir de casa para se tornar prostituta em uma cidade grande. Tinha ambições maiores. Pretendia terminar o curso normal para poder ingressar numa faculdade no Rio de Janeiro, onde poderia se misturar às multidões e fazer passar despercebida a sua vida sexual.

Quando Luciana entrou na sala no meio do ano, chamou a atenção de muita gente. Era o tipo de garota cujo comportamento fugia aos padrões. Entrou calada, porém, sorridente, e foi sentar-se no único lugar vago na sala, ao lado de Marcela. Como era nova na escola e não conhecia ninguém, logo travou conversa com Marcela, que, por sua timidez, não tinha muitos amigos. Da conversa, passaram aos encontros, e daí a um relacionamento mais íntimo não demorou muito. Em breve, as duas estavam namorando, sem que a família de Marcela sequer desconfiasse, e a de Luciana preferisse não saber.

Terminado o ano letivo, já agora com dezoito anos completos e formada professora, Luciana decidiu partir. Chamou os pais e comunicou-os de sua decisão. Os pais demonstraram alívio e não se opuseram. Era mesmo melhor para eles ver-se livre daquela filha ingrata, a ovelha negra da família que só lhe trazia problemas e que manchara a sua reputação de gente honesta e direita. O pai ainda lhe deu dinheiro para as primeiras despesas, com a condição de que ela se arranjasse no Rio de Janeiro e não retornasse mais a Campos, a não ser que se emendasse e voltasse a ser uma moça decente. Luciana não questionou. Apanhou o dinheiro, arrumou a mala e partiu sem maiores complicações.

Para Marcela, as coisas não foram assim tão fáceis. Os pais nada sabiam sobre seu romance com Luciana e não queriam permitir que ela partisse com a amiga para uma cidade grande e cheia de tentações como o Rio. Não lhe deram nenhum apoio e chegaram mesmo a proibi-la de ir. Frágil demais para enfrentá-los, Marcela não insistiu, mesmo porque Luciana prometera escrever-lhe sempre.

As cartas de Luciana chegavam regularmente, até que, um dia, a moça lhe escreveu dizendo que havia passado num concurso público e que agora dava aulas numa escola do município. Alugara um pequeno apartamento de quarto e sala no subúrbio e convidava Marcela para ir viver com ela.

A felicidade foi tanta que Marcela pensou que o peito fosse explodir. Mas o que poderia fazer? Contar aos pais seria loucura, porque eles jamais a deixariam partir. Aos dezenove anos, decidiu que o melhor seria fugir. Como não podia contar com a ajuda financeira do pai, escreveu a Luciana, que lhe enviou dinheiro suficiente para a viagem. Às escondidas, Marcela comprou a passagem e, no dia e hora marcados, subiu no ônibus e foi embora, ao encontro de Luciana, talvez para nunca mais retornar à terra natal.

Foi assim que seu relacionamento começou. Luciana estava indo bem na profissão e passou no vestibular para odontologia. Com sua ajuda, Marcela ingressou na faculdade de letras e conseguiu um emprego de auxiliar numa escola particular. Mais tarde, mudaram-se para um apartamento melhor, num bairro de classe média, e levavam a vida em paz e tranqüilidade, sem ninguém para se intrometer em suas vidas. Os vizinhos nada sabiam sobre seu relacionamento e, para todos os efeitos, elas eram apenas estudantes vindas de outra cidade que dividiam um apartamento.

Essas lembranças fizeram estremecer o coração de Marcela. Haviam sido felizes por quase oito anos, e agora Luciana lhe dizia que tudo estava terminado. O que faria da vida dali para a frente? Na verdade, não tinha mais vida. A vida de Marcela havia acabado na hora em que Luciana cruzara a porta do apartamento, dizendo que não pretendia mais voltar. Ela ainda não entendia o que havia feito de errado. “Nada”, dissera Luciana, mas ela não acreditava. Alguma coisa havia acontecido. Chegou a pensar que Luciana havia conhecido outra pessoa, mas ela lhe assegurou que não. Simplesmente o amor que as unira no passado havia terminado, e ela achava que já era hora de cada uma seguir o seu próprio caminho.

Mas os caminhos de Marcela estavam entrelaçados aos de Luciana, ou assim ela pensava. Não podia e não queria viver sem ela. Quando ela se foi, Marcela ficou desesperada e se atirou num choro profundo, até que apanhou um livro de poesias, que era a única coisa que a fazia se acalmar. Começou a ler Morte e Vida Severina, até que aquela passagem lhe chamou a atenção. Assim como a personagem, ela também duvidava se ainda valia a pena viver. A miséria também havia invadido a sua vida, pela carência de amor. Saltar da ponte lhe parecia a única solução, e aquelas pílulas seriam sua ponte para a outra vida, para o nada, para uma existência em que o vazio não a faria sentir a falta da presença de Luciana.

Marcela sentou-se na cama e ficou olhando o vidro de remédios, ainda hesitando entre tomá-los ou não. De vez em quando, olhava para o livro no chão e para o retrato de Luciana na mesinha-de-cabeceira, e seus olhos voltavam a derramar lágrimas sentidas.

– Ah! Luciana, não posso viver sem você! Por que fez isso comigo, por quê?

Ao pensar na amada, Marcela sentia que não havia outra saída para a sua dor. Ou era a morte, ou a vida vazia. Preferia morrer. Decidida, levantou-se e foi apanhar água na cozinha. Voltou para o quarto e derramou o vidro de remédios nas mãos, enfiando-os todos na boca e sorvendo a água em goles largos. Repetiu esse movimento até não restar mais nenhum comprimido no frasco. Chorando cada vez mais, deitou-se na cama, acomodando-se sobre os travesseiros. Apanhou o retrato de Luciana, agarrou-se a ele e fechou os olhos. Agora era só esperar a chegada da morte.

Ao sair do apartamento que dividia com Marcela, Luciana sentia a garganta estrangular. Afinal, foram muitos anos de convivência, e, por mais que ela não quisesse continuar a viver com Marcela, não lhe era indiferente. Haviam sido amigas, amantes e confidentes por muito tempo. Dividiram alegrias, tristezas e dificuldades. Venceram na vida sozinhas, lutando contra tudo e contra todos, firmando-se no mundo como mulheres e pessoas de bem. Aquilo não era um nada. Ao contrário, era algo para se lembrar e orgulhar por toda a vida.

Naquele último ano, as coisas entre as duas não iam nada bem. Luciana sentia vontade de conhecer outras pessoas, de viajar, de freqüentar seminários e congressos relacionados à sua profissão. Mas Marcela, embora não se opusesse, ficava insegura com a sua ausência, telefonando a toda hora para os hotéis em que ela se hospedava, cobrando as ligações não retornadas, temendo que ela se interessasse por mais alguém. Mas o que Luciana queria era viver com liberdade. Embora gostasse de conhecer pessoas interessantes, não era sexualmente que procurava se envolver com elas. Apreciava as conversas intelectuais, principalmente aquelas relacionadas a sua profissão.

Pena que Marcela fosse tão insegura e assustada. A muito custo conseguira passar num concurso também, para dar aulas de português numa escola científica. Ela, Luciana, deixara o magistério para se dedicar à odontologia, para se entregar exclusivamente ao pequeno consultório que, com muito sacrifício, conseguira montar no Méier, juntamente com Maísa, uma amiga de faculdade. Afinal, fora para isso que juntara dinheiro por tantos anos, para poder realizar o seu sonho de ter um consultório que fosse seu.

A insegurança e os medos de Marcela foram, talvez, os maiores responsáveis pelo fim de seu relacionamento. Luciana era muito decidida e segura, independente e confiante, tudo o que Marcela não era. Isso a decepcionava, porque Marcela era o seu oposto e não lhe causava admiração. Nunca fazia o que Luciana esperava, encolhia-se diante de tudo e de todos, sempre com medo de que descobrissem o seu relacionamento. Tal atitude foi cansando Luciana cada vez mais, até que, saturada e sem ver perspectivas de mudança em Marcela, decidiu que o melhor mesmo, dali em diante, seria se separarem.

Durante muito tempo, Luciana sentiu-se responsável por Marcela, por tê-la convencido a deixar Campos e a segurança dos pais. Fora Maísa quem lhe mostrara que Marcela era dona de sua vida e capaz de decidir o seu próprio caminho.

– Sei como se sente – dissera Maísa. – Marcela veio de Campos atrás de você. Mas veja o que fez por ela. Não fosse por você, ela não estaria formada nem teria o emprego que tem. Se é professora de letras, é graças a você.

– Não é bem assim, Maísa – contestou Luciana. – Marcela sempre foi muito inteligente.

– Mas não é nada decidida. É medrosa e insegura. Foi você quem lhe deu forças, quem a encorajou a ser alguém. Agora está na hora de ela caminhar com as próprias pernas. Não é justo que você se mantenha presa a quem não ama só por sentimento de culpa ou gratidão.

Maísa tanto falou, que Luciana resolveu tomar aquela decisão. Gostava muito de Marcela, mas não podia mais viver com ela. Queria liberdade para desfrutar da independência recém-conquistada. E depois, não era justo abrir mão de seus planos para satisfazer as carências de Marcela. Ela agora era uma mulher mais madura e capaz de gerir a própria vida.

Por isso, tomou aquela atitude. Foi difícil terminar uma relação de mais de sete anos, mas ela estava decidida. Procurou ser o mais amável possível, sem deixar de ser sincera. Expôs a Marcela os seus sentimentos, seus anseios, e afirmou que a decisão era irrevogável. Não a amava mais, embora lhe tivesse muito afeto. Queria o melhor para ela, mas queria o melhor para si também. Podiam continuar sendo amigas, mas sem envolvimento emocional ou sexual.

Quando Marcela desatou a chorar e atirou-se em seus braços, implorando-lhe que não partisse, Luciana quase desistiu, mas algo dentro dela lhe dizia que seria pior. Estaria alimentando uma mentira e passaria a viver insatisfeita para que Marcela não sofresse. Não era justo nem com ela, nem com Marcela. O melhor, para ambas, era a separação, por mais que Marcela não conseguisse enxergar dessa forma. Com firmeza, Luciana desvencilhou-se de Marcela, apanhou a mala e partiu apressada, esquecendo-se até de deixar suas chaves. Sabia que Marcela não a seguiria, com medo de que os vizinhos percebessem que ela estava desesperada por ter sido abandonada por outra mulher.

Luciana partiu, e Marcela ficou chorando atrás da porta, até que resolveu tomar aquela atitude extrema e desesperada. Embora Luciana não soubesse de suas intenções, uma inquietação começou a se alastrar pelo seu peito, e um medo indizível se apossou de seu coração. E se Marcela fizesse alguma besteira? Luciana foi caminhando com aquela sensação horrível, tomou um táxi e se dirigiu para o apartamento de Maísa, com quem iria morar dali em diante. Maísa não era homossexual, mas era pessoa de cabeça aberta e sem preconceitos, cujos pais a enviaram cedo para estudar no Rio de Janeiro.
Ao chegar à casa de Maísa, a amiga estava terminando de lavar a louça do jantar, e Luciana pousou a mala na saleta e foi ao seu encontro na cozinha.

– Sinto se não a esperei para jantar – disse Maísa –, mas você demorou muito e eu estava morrendo de fome. Mas ainda tem arroz e feijão na panela. É só fritar um bife. Ah! e tem salada na geladeira.

– Não quero nada, Maísa, obrigada.

Maísa enxugou as mãos no pano de prato e aproximou-se de Luciana, que se sentou à mesa.

– E aí? Como é que foi? Correu tudo bem?

– Pior do que eu imaginava. Marcela não quis aceitar e ficou desesperada. Tive que largá-la chorando e sair meio na marra.

– Que coisa chata.

– Sim, foi muito chato. E triste também.

– Mas o importante é que você conseguiu.

– Consegui… é, consegui. Mas estou preocupada. Sinto que Marcela é capaz de alguma besteira.

– Será?

– Não sei. Meu coração está pequenininho.

– Você quer que eu dê um pulo lá e veja se está tudo bem?

– Você faria isso?

– É claro. Não me custa nada. E depois, também não quero que Marcela faça nenhuma besteira.

De posse das chaves que Luciana esquecera de entregar, Maísa chegou ao apartamento de Marcela. Tocou a campainha uma, duas, três vezes, e nada dela abrir. Encostou o ouvido na porta, mas não escutou nada. Ou ela havia saído, ou não queria atender, ou, o que era pior, alguma coisa havia acontecido. Maísa não podia esperar mais. Apanhou a chave na bolsa e meteu-a na fechadura, abrindo-a com mãos trêmulas.

– Marcela! – chamou. – Oi! Você está aí?

O apartamento estava escuro e em total silêncio, e Maísa foi acendendo as luzes por onde passava. Acendeu a sala, o corredor, e deu uma espiada na cozinha, do outro lado. Ela parecia deserta, e Maísa seguiu para o quarto. A porta estava fechada, e ela bateu de leve. Ninguém respondeu, e ela bateu novamente. Silêncio. Experimentou a maçaneta, que cedeu de imediato. Maísa empurrou a porta, que foi se abrindo lentamente, e acendeu a luz. Rapidamente, passou os olhos pelo quarto e viu…

Num átimo, compreendeu tudo. Marcela deitada na cama, o retrato de Luciana em seus braços, o frasco de remédio no chão. Maísa soltou um grito de pavor e correu para a outra, tentando escutar seu coração. As batidas pareciam fracas, a respiração, quase inexistente. Mais que depressa, correu para o telefone e ligou para o pronto socorro. Deu o endereço ao atendente, explicou mais ou menos a situação, largou o fone no gancho e arrancou o retrato de Luciana das mãos de Marcela, saindo às pressas logo em seguida.

Coração aos pulos, Maísa desceu as escadas correndo e foi ocultar-se do outro lado da rua, sob a sombra de um poste cuja lâmpada estava queimada. Pouco depois, uma ambulância apareceu, e homens vestidos de branco entraram apressados no edifício. Mais atrás, uma patrulhinha estacionou, e dois guardas desceram. Alguns vizinhos apareceram nas janelas, mas ninguém sabia de nada, ninguém a havia visto. Maísa tinha medo de qualquer coisa que se relacionasse à polícia, por causa de seu envolvimento com o movimento estudantil na faculdade. Fizera parte da UNE e chegara a ser fichada na polícia, mas o pai do namorado, que era desembargador no Tribunal de Justiça, conseguira soltá-la. De lá para cá, jurara a si mesma que não se envolveria mais com política ou a ditadura, e evitava qualquer contato com a polícia.

Instantes depois, os enfermeiros apareceram carregando a maca, com o corpo de Marcela estendido, e Maísa apertou os dentes na mão cerrada. Estaria ela morta? Não saberia dizer. Esperou até que os guardas saíssem também e voltou para casa.

– E então? – indagou Luciana, logo que ela abriu a porta. – Como é que ela está?

Maísa estava lívida feito uma folha de papel. Apanhou um copo d’água e bebeu avidamente, jogando-se pesadamente no sofá.

– Você nem queira imaginar – começou ela a dizer. – Quando cheguei lá, encontrei Marcela deitada na cama, agarrada ao seu retrato, com um vidro de pílulas para dormir caído no chão.

– Meu Deus! Ela está morta?

– Não sei. Quando saí, ela estava respirando.

– Você a deixou lá?

– É claro que não. Liguei para a emergência e me mandei. Ah! e tirei a foto de suas mãos.

Maísa apanhou na bolsa o retrato de Luciana, estendendo-o a ela.

– Por que fez isso? – quis saber Luciana.

– Você sabe que não posso ter complicações com a polícia. Pensei que você também não quisesse. Imagine o que a polícia não vai dizer quando descobrir que ela tentou se matar por sua causa.

– Mas o que aconteceu a ela? Para onde a levaram?

– Para o hospital, é claro.

– Que hospital? Como é que vamos saber para onde ela foi?

– Quer um conselho, Luciana? Sei que é difícil, mas é melhor esquecer o que houve. Não há nada que você possa fazer. Marcela está sendo cuidada, não é mais problema seu.

– Como pode ser tão fria, Maísa? E se ela morrer?

– Não quero que ela morra, mas não podemos fazer mais nada. Agora, é com os médicos.

– Você está é com medo de que a polícia venha bater aqui, não é?

– Já disse que não posso me envolver…

– Eu sei, eu sei! Mas eu também não posso ficar aqui sentada sem saber o que aconteceu a Marcela. Tenho que fazer alguma coisa.

– Acho melhor você não fazer nada. A polícia vai querer saber quem foi que telefonou.

– Posso dizer que fui eu.

– Ah! é? E por que se mandou? Só foge quem é culpado. Pelo amor de Deus, Luciana, não me crie problemas. Mais tarde, posso pedir ao Breno para ver se o pai dele descobre alguma coisa.

Embora contrariada, Luciana acabou aquiescendo. Tinha medo de comprometer Maísa, que tudo fizera para ajudar. Em consideração a ela, esperaria até o dia seguinte, quando Breno, seu namorado, poderia obter algum tipo de informação através do pai. Mas se ele não conseguisse nada, ela mesma iria procurar Marcela, nem que tivesse que telefonar para todos os hospitais da cidade.

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