Instrumentos da Vida


A vida dispões de vários instrumentos para realizar a obra divina. E a obra divina, em muitos aspectos, significa dar a cada um o que lhe pertence. Ou seja, que se faça a vontade individual, a fim de que as experiências de crescimento sejam aproveitadas da forma que aquela criatura acredita ser a melhor para ela.

No nosso atual estágio de evolução, ainda acreditamos que o sofrimento purifica. É verdade, mas o sofrimento não é a única forma de evolução que possuímos. Existem outros meios menos dolorosos e mais gratificantes, mas que nós, infelizmente, ainda não nos julgamos dignos de merecer. É o caso daquele que matou numa vida passada e que hoje, ao invés de escolher ser assassinado, pede para ser um bom médico ou bombeiro, por exemplo.

Falando em médico, vamos pensar num assunto muito sério hoje em dia. A variedade de profissionais de medicina que estão cometendo barbaridades parece que tem se multiplicado ultimamente. Isso também é verdade, mas por quê? A vida não erra. Deus é perfeito, foi quem criou a vida, logo, não erra também. Se é assim, se tudo está no seu lugar e acontecendo como tinha que ser, qual a função desses profissionais que, dispondo de todos os elementos para praticar o bem, esquecem de sua missão e investem na negligência, no descaso, no desrespeito e na ambição?

A resposta é simples: Eles também são instrumentos. Uma pessoa pode ser instrumento para levar coisas boas ao mundo ou não. Cabe a cada um decidir em que lado dessa linha quer se posicionar, porque pessoas há, de todos os tipos, com os mais diversos problemas, requerendo as mais variadas soluções. Quando o médico erra num diagnóstico, tratamento ou cirurgia, levando a óbito o paciente ou lhe causando danos irreparáveis ou não, ele está apenas sendo um instrumento. Devido ao seu grau de imaturidade espiritual, predispõe-se a servir de ferramenta para a efetivação do plano de vida daquela pessoa, levando-a a atravessar as dificuldades que ela julga serem necessárias ou que, pelo teor vibratório que carrega, atraiu para si mesma.

Ninguém é obrigado a se colocar nessa posição. Mas o mundo nos movimenta através de atrações. Pessoas atraem pessoas que pensam, sentem ou agem da mesma forma que elas. Quando a gente quer uma coisa, a vida cuida de colocar ao nosso dispor exatamente aquilo que pedimos. Às vezes, isso acontece de uma forma consciente, como quando queremos muito ir a uma festa e alguém nos convida. Outras, nem tanto. Nem sempre sabemos o motivo que nos leva a passar por determinadas dificuldades. Há coisas, porém, que podemos afirmar com certeza: tudo está certo, somos responsáveis pelo nosso destino, fazemos nossas próprias escolhas, ainda que a mente consciente não se dê conta disso. E como nem sempre podemos fazer tudo sozinhos, precisamos de algo ou alguém que nos dê um empurrãozinho. Cai nas nossas mãos ou caímos nas mãos daquele que irá realizar exatamente aquilo por que precisamos passar.

Isso não quer dizer que o médico esteja isento de responsabilidade pelos erros que comete. Se, por um lado, a pessoa que precisa passar pela experiência dolorosa magnetiza o profissional, por outro, o profissional ainda está muito abaixo do desejável na escala da evolução humana. Mais tarde, terá que se entender com a própria consciência, a fim de compreender os motivos que o levaram a se disponibilizar para essa tarefa e, aos poucos, ir modificando seus valores para, no futuro, servir de instrumento a coisas mais úteis.

Bem se nota, portanto, que os instrumentos do mal estão disponíveis porque nós ainda vibramos o mal dentro de nós. À medida que formos evoluindo e nos desapegando da velha crença de que sofrer é a única forma de nos purificarmos, esses instrumentos deixarão de existir. Quando, por exemplo, se encontra a cura para uma doença é porque a humanidade, como ser coletivo que é, já não precisa mais passar por aquilo. Foi assim com a tuberculose, a hanseníase e outras, que deixaram de ser fatais pelo simples fato de que a grande maioria de nós não precisa mais delas para nos mostrar o que viemos aprender.

Assim também a medicina. Um dia, quando o sofrimento for lembrança remota do passado, a vida não terá mais necessidade de convocar espíritos ligados na irresponsabilidade para fazer valer a vontade de ninguém. Os caminhos do crescimento se abrirão pelo amor, não pela dor.

Os médicos aqui serviram de exemplo, mas não são apenas eles. Qualquer pessoa, em qualquer situação, pode se disponibilizar da mesma forma. Engenheiros que constroem prédios que desabam, advogados que levam ao insucesso quem tem razão, juízes que condenam inocentes, cuidadoras que maltratam idosos. Os exemplos são muitos e englobam todos os segmentos da vida humana. Diante disso tudo, temos apenas que ter a certeza de que cabe a nós atuar de duas formas: fazendo escolhas inteligentes e adotando o amor como nosso lema de vida.

Ser instrumento da vida é normal, já que interagimos uns com os outros o tempo todo. Não somos seres isolados, não vivemos em compartimentos estanques. A todo momento, precisamos uns dos outros, porque é assim, pela troca de experiências e necessidades, que vamos aprendendo e crescendo. Sabendo disso, precisamos estar atentos. É muito bom quando, através de nós, coisas boas entram no mundo. Por outro lado, ao nos disponibilizarmos como causa de sofrimento, estaremos provocando em nós uma força invencível contra a qual não podemos lutar: nossa consciência.

Nunca nos esqueçamos de que todos nós podemos nos ver na posição de instrumentos. E quanto mais corretamente agirmos, mais atrairemos bons instrumentos que nos sirvam. Lembremo-nos de que, conscientemente, podemos não ter pedido a experiência, boa ou ruim, mas que a merecemos, disso não podemos duvidar.

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