Animais na Minha Vida


Acho que muitos já sabem o quanto gosto de animais.  De todos eles.  De uns, gosto mais do que de outros, mas admiro a pureza que eles possuem.  Os animais não mentem, não matam por esporte, prazer ou maldade, não fingem ser o que não são para obter vantagens.

Todos os animais são espertos, mas a esperteza de alguns vem do instinto de sobrevivência, da necessidade de afeto, da luta por atenção.  Alguns deles são muito parecidos conosco. Sentem ciúmes, raiva, fazem pirraça, malcriação, são possessivos e até rabugentos.  Mas têm algo que é comum a todos os que convivem conosco.  Possuem afeto.

Não sou aquele tipo de pessoa que prioriza os animais em detrimento do ser humano. Mas também não acho que as pessoas estão acima dos animais. Acho que há lugar para todos no mundo, e o sol brilha igualmente para minerais, plantas, animais e os homens. E se gosto de fazer bem aos animais, o que dizer das pessoas?

Os animais são muito especiais.  Quando adotamos um animal, ele passa a ser responsabilidade nossa.  É uma troca estimulante e imensamente compensadora. Cães e gatos, principalmente, são grandes companheiros.  Não tenho preferência por pássaros, tenho pena de vê-los engaiolados.  Prefiro vê-los nas árvores, livres, usando as asas para realizar aquilo para que foram feitas: voar.  Adoro peixes, mas desisti de tê-los porque dá muito trabalho cuidar de aquário, e eu já não tenho mais a disponibilidade ou a paciência que tinha antes.

Desde criança, tive contato com os bichinhos.  Na minha infância, morava numa casa grande na Tijuca, com um quintal imenso (tinha até goiabeira, coqueiro e abacateiro).  Aí começaram os gatos.  Chegamos a ter onze no total, além dos cachorros da minha avó.  Na hora da comida, era uma farra.  Minha mãe colocava duas bacias de carne com arroz (naquela época não tinha ração), e eles as rodeavam para comer.  Era muito engraçado.

Eu, que vivi solta e livre, de pé no chão e brincando na rua, adorava me enroscar com os gatos.  Pegava o manda-chuva da gataria  e subia com ele na goiabeira.  Chamava-se Bilo, um gato grande, robusto, malhado.  Permanecíamos lá um tempão, até ele ficar de saco cheio e me dar umas boas unhadas nas mãos para que eu o largasse.  Eu nem ligava. Soltava o bichano e ia brincar de outra coisa.

Mais tarde, foi a vez da cadela pastor alemão.  Samanta era muito linda, meiga, amiga, companheira.  Foi uma pena quando morreu.  Ela teve um problema (não me lembro qual) e precisou passar por uma cirurgia.  Em casa, teve uma complicação à noite, e não conseguimos um veterinário de plantão para levá-la.  Minha mãe e eu passamos a noite acordadas com ela, e quando chegou de manhã, meu irmão já estava tirando o carro quando ela simplesmente deu um suspiro e morreu.  Foi muito triste…  Ela deixou saudade.

Nesse meio, vieram mais alguns gatinhos, mas não marcaram tanto.

Já adulta, achei que era melhor, então, ter um aquário.  Era lindo, cheio de peixinhos coloridos. Eu amava ficar olhando-os nadar, tinha um efeito calmante estupendo.  Um dia, veio a praga.  Um fungo, bactéria, sei lá, tomou conta do aquário.  Mesmo colocando remédio, morreram quase todos os meus peixes.  Anos depois, comprei outros, agora para o meu filho.  Mas o trabalho era muito, e eu devolvi todos os peixes para a loja.  Mãe é bicho bobo mesmo.  Sempre acredita quando o filho diz que vai cuidar do bichinho e acaba ficando com o trabalho todo pra ela.

Um dia, ganhei um cachorro, um coker-spaniel chamado Yuri.  Ele vivia agarrado comigo, dormia na minha cama, com a cabeça sobre a minha barriga.  Quando meu filho nasceu, foi um problema.  Lá foi o Yuri para a casa da minha mãe.  Ele acabou me trocando por ela, nunca mais voltou para a minha casa.  Morreu alguns anos depois, com a doença do carrapato.  Também foi terrível.  Fizemos de tudo, até hemodiálise e transfusão de sangue.  Não adiantou.  Doencinha danada, essa.

Meu primeiro xodozinho foi a Luíza, uma gatinha preta, felpuda, malcriada e muito brava. Não gostava de ninguém, arranhava todo mundo, menos a mim.  À noite, costumava sair do apartamento e subir para o telhado do prédio, onde ficava até quase de manhã.  Era caçadora, muito ágil, apesar de castrada.  O problema é que tinha bronquite.  Morreu aos seis anos, com uma crise tão violenta, que nem deu tempo de socorrer.  Como eu chorei!

Depois, tive uma duplinha em casa.  Primeiro veio o Toby, um cão da raça shitsu que era uma graça.  Quando ele chegou (caí mais uma vez na conversa do meu filho e comprei o cachorro), a Luíza ainda era viva e logo tratou de mostrar a ele quem é que mandava no pedaço.  Era só ele bobear, que lá vinha ela com uma patada no focinho dele, coitado. Resultado: o cachorro ficou com  um tremendo trauma de gatos!

Tentei depois uma outra gatinha, Sagrado da Birmânia, mas não deu.  Como todo gato, ela logo percebeu que o Toby tinha medo dela e aproveitou para se impor.  Ela era pequenininha, tinha só dois meses, mas dava cada bote nele…!  O Toby ficou tão deprimido com a presença dela, jogado pelos cantos, que não vi outra saída, a não ser dar a gatinha para alguém que cuidasse bem dela (e antes que eu me apegasse a ela, né?)

Finalmente, consegui uma outra gatinha, vira-lata mesmo, branquinha, de olhinho azul, que acabou se tornando verde. O nome dela é Suzy, veio com pouco mais de um mês, no começo, muito meiguinha, mansinha toda vida!   Ela não implicava com o Toby, embora ele ainda tivesse um pouco de medo dela, mas acabou se acostumando.

Infelizmente (para todos, menos para mim), a Suzy se transformou numa jaguatirica.  Ao menos, foi esse o apelido que lhe deram na veterinária.  Ela é terrível.  Brava, que só!  Não deixa ninguém chegar perto, só eu.  Ela me adora.  Vive me lambendo, dorme em cima de mim, me arranha de leve no queixo pedindo carinho.  Mas só faz essas coisas comigo.  Sou a única que a pega no colo.  Com qualquer outra pessoa, ela é uma fera.  Além de mim, só a minha mãe consegue pôr a mão nela, às vezes.  Mas eu a adoro!

Poucos dias depois da vinda da Suzy, ganhei a Nina, o meu docinho.  Filha da Sagrado da Birmânia com um vira-latas, é o meu xodó.  É mesmo um doce, de tão boazinha. Gulosa, folgada, mansinha, dorminhoca, tem preguiça até de miar.  Mia pela metade.  Mas é linda de morrer.  Felpuda, pelo mesclado de creme e branco, olhos azuis bem clarinhos e um charme especial: é totalmente vesga.

Como eu moro na cobertura, ela adora se mandar para o telhado.  Fica por lá a noite toda. O único problema é que, de vez em quando, ela despenca.  Já caiu do terraço duas vezes.  Da primeira, quebrou um dedinho.  Da segunda, na véspera de Natal, se machucou toda. Tenho que ficar de olho nela, principalmente porque agora ela só tem mais cinco vidas.

Agora a parte triste.  O Toby morreu com a doença do carrapato, igualzinho ao Yuri.  Foi um choque.  Ele só tinha quatro aninhos.  Não gosto nem de lembrar…

Tá bom que foi terrível, inclusive para o meu filho, que acabou me convencendo a comprar outro.  Veio o Bruce, um border-collie que, além de absurdamente bonito, é também absurdamente inteligente.  Sério, só falta falar.  Quando ouvi dizer que o border-collie é a raça de cães mais inteligente do mundo, não imaginei o quanto isso era verdade.  Ele faz coisas que ninguém acredita.  É cão de pastoreio, super-energético, o que torna algumas atitudes dele bastante engraçadas.

E não é só.  Nunca vi um cachorro tão bom caráter.  Bruce é naturalmente bom, meigo, amigo.  É um cachorrinho (ou cachorrão, sei lá) super do bem.  Nunca quis morder as minhas gatinhas, apesar de eu desconfiar que ele pensa que elas são ovelhas e quer pastoreá-las.  O problema é que elas não gostaram muito da ideia.  A Suzy, então, tinha pavor dele.  Só agora está perdendo o medo.  Acho que porque já percebeu que ele não é de nada.

Pensam que acabou por aí?  Não acabou, não.  Depois que meu padrasto morreu, minha mãe ficou meio deprimida.  Dei a ela de presente um pequinês.  Acho que peguei um dos últimos do mundo.  Tudo bem, ele não é meu, não deveria nem estar aqui.  Mas o caso é que minha mãe veio morar comigo e, é claro, trouxe o Billy junto.  Resultado, ficamos com cinco bichinhos em casa.

E, como em casa em que comem cinco comem também seis, eis que surgiu a Sassy.  No princípio, era uma gatinha feinha, magricela, de pelo arrepiado.  Peguei-a numa feirinha de adoção.  Tinha sido abandonada.  Hoje está bonita, gordinha, pelo macio, preto e branco.  É a mais engraçada e atrevida.  Implica com as outras gatas.  A Nina não liga muito.  Dá um chega-pra-lá e continua na boa.  Agora a Suzy… acho que elas se odeiam. De vez em quando, tentam se matar.  Até hoje não tiveram sucesso, e espero que nunca tenham.

Para mim, já estava encerrado.  Seis animais: três cachorros e três gatos, é o bastante para todo mundo, certo?  Bom, seria, se um episódio recente não houvesse mudado isso.  Uma noite dessas, estávamos caminhando na praia quando meu filho deu de cara com uma vira-latas pretinha.  É claro que ele tinha que mexer com ela, e não deu outra.  Lá veio a cachorra nos seguindo até a porta de casa.  Tive coragem de enxotá-la?  Claro que não.  Já faz parte da família, lógico.

Muita gente diz que não quer ter bichos porque eles morrem e a gente fica sofrendo.  É fato, mas tudo morre nessa vida.  Eu lido bem com essa coisa de morte, muito pelo fato de ser espírita.  Por isso, embora fique triste quando eles morrem, a tristeza passa, mas o amor por eles permanece.

Gosto de cachorros, adoro gatos!  Os animais nos ajudam muito a desenvolver a afetividade, dão responsabilidade às crianças (a muito custo, é claro), fazem companhia, auxiliam os idosos a se sentir úteis e combater a solidão.  Respeitá-los é dever de todos nós.  Nada de maltratá-los, de bater neles, abandoná-los nem arrastá-los pela rua.  Eles são seres vivos, sentem dor, tristeza, decepção.

Quem não gosta de animais ou não tem paciência não deve tê-los.  Ninguém é obrigado a ter um bichinho, muito menos a gostar dele.  Mas respeito é fundamental.  Eu, que já aprendi como é importante respeitar a tudo e a todos, fico muito triste quando os vejo serem tratados sem amor.

Eu amo os animais tanto quanto amo viver, porque eles são uma parte muito boa da vida.

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